
Cirurgia Empoderada- A História de Duas Cirurgias Empoderadas
Neste blog, gostaria de contar minha própria história de duas cirurgias que fiz, com um ano e meio de diferença, para colocar duas próteses de coxa-femoral. Essas cirurgias se tornaram um ponto de virada em minha recuperação emocional de algumas cirurgias a que foi submetida quando criança, que deixaram uma marca de terror de longo prazo em meu corpo. Em baixo, examinarei a e falarei sobre a Lista de Pedidos a Serem Feitos Pre-Cirurgicamente como trabalhei com cada uma delas.
1) Escolha de um/a Cirurgiã/o
Sei muito bem que nem todo o mundo tem a opção de escolher seu/sua médico/a. Em uma situação de emergência ou quando suas únicas opções são o que o sistema público de saúde ou sua seguradora oferece, é preciso trabalhar com o que se tem. No caso que descrevo, tive o privilégio da escolha e falo aqui sobre como a utilizei.
Entrevistei vários cirurgiões. A cada um deles, levei minha lista de solicitações. Fiz perguntas e fiquei atento às respostas. Ouvi o que estava nas entrelinhas: atitude, respeito, honestidade. E, acima de tudo, ouvi meu corpo e minhas intuições. Escolhi o Dr. Mauro Meyer em Porto Alegre, Brasil. Ele respondeu a todas as minhas perguntas de forma clara e respeitosa. Ele estava disposto a trabalhar com minhas solicitações e também foi honesto sobre quais solicitações estavam fora do seu alcance para conceder. Eu havia perguntado vários amigos médicos sobre bons/boas cirurgiões ortopédico/as e recebi seu nome de duas fontes diferentes. O Dr. Mauro é especialista em cirurgias de quadril e joelho e tem muitos anos de prática. A cirurgia de quadril que ele faz é minimamente invasiva. Ele não corta nenhum músculo, mas faz uma incisão entre os músculos e faz tudo por meio dessa incisão. Ele transmite uma sensação de confiança tranquila, e senti instintivamente que podia confiar nele.
Além disso, quando recebi algumas sessões de Somatic Experiencing® nos meses seguintes à cirurgia, ficou muito claro para mim que a marca energética que ele deixou em meu corpo foi de profundo amor e respeito. Creio que essa pode ser uma das grandes perguntas a serem feitas a si mesmo ao escolher um/a cirurgiã/o. "Como me sinto em relação à assinatura energética dessa pessoa? Quero que ela fique impressa em meus tecidos?"
2) Transições e Acompanhamento
A minha médica antroposófica, Dra. Waldyvia de Paula Machado, que também é minha amiga e colega na clínica em que ambas trabalhamos há mais de 20 anos, se dispôs a ir comigo para a cirurgia e a estar presente enquanto eu estivesse sendo operada. Isso certamente atenderia à necessidade de ter uma pessoa de confiança lá, me tranquilizando, enquanto eu adormecia. Eu também queria que meu marido (que, como eu, é professor de Somatic Experiencing® e tem uma presença muito calma) estivesse comigo na sala de recuperação, quando eu saísse da anestesia. O Dr. Mauro me disse, honestamente, que como a sala de cirurgia era de seu domínio, ele poderia permitir que o Dr. Waldyvia me acompanhasse lá. Mas a sala de recuperação não era um lugar onde ele tinha controle. Ele me disse que não poderia garantir a presença do meu marido lá. No entanto, sugeriu que eu falasse com a equipe da sala de recuperação.
Assim começou uma jornada que me levou várias semanas. Liguei repetidas vezes para o hospital e, a cada vez, parecia que eu dava mais um passo no caminho para conseguir o contato da pessoa que poderia autorizar a presença do meu marido na sala de recuperação. Não era uma tarefa simples. Eu ligava para o hospital e explicava para uma pessoa, e depois para outra, por que queria meu marido, que é terapeuta de traumas e tem uma presença suave e tranquilizadora, comigo na sala de recuperação. Expliquei que isso seria melhor para minha recuperação pós-operatória e também para o hospital, porque eu me sentiria mais segura e protegida. E então me deram outro número de telefone e outra pessoa para entrar em contato. Por fim, consegui o número da sala de recuperação e o nome da enfermeira que seria a responsável no dia da minha cirurgia. Finalmente consegui falar com ela alguns dias antes da cirurgia e ela permitiu que não somente meu marido, mas também a Dra. Waldyvia, estivessem comigo.
O resultado foi que, no dia da cirurgia, a última coisa que ouvi quando estava adormecendo foi a voz da Dra. Waldyvia dizendo: “Você pode relaxar e se entregar”. E então, o que pareceu apenas um momento depois, eu me vi sendo levado de maca pelo corredor. A cirurgia já havia terminado e meu marido estava caminhando ao meu lado, segurando minha mão. Senti seu amor e proteção me envolvendo como um manto caloroso. As cinco horas que Fiquei na sala de recuperação passaram rapidamente e eu me senti segura e amada com os dois ali. A Dra. Waldyvia trouxe um pouco de óleo de lavanda e massageou minha barriga com ele, o que me ajudou ainda mais a relaxar.
No entanto, essa história vai ainda mais longe. Quando voltei um ano e meio depois para colocar prótese no outro lado, o Dr. Mauro me informou que, desde a minha cirurgia, a sala de recuperação havia mudado sua política. Eles agora não só permitiam, como também incentivavam que um amigo ou membro da família ficasse na sala de recuperação com o paciente. Minha persistência valeu a pena, não apenas para mim, mas também para outras pessoas!
3) Conversa Durante a Cirurgia
Quando conversei com o Dr. Mauro sobre a possibilidade de ter apenas uma conversa neutra--somente o necessario para o trabalho-- enquanto ele estivesse operando, ele me disse: “Não tenho nenhum problema com isso. Gosto de ficar muito concentrado enquanto estou trabalhando”. Esse foi um dos fatores que me levaram a escolhê-lo como meu cirurgião.
No entanto, essa solicitação deve ser feita não apenas ao cirurgião, mas também ao restante da equipe e, mais uma vez, isso pode ser complexo. Se o/a cirurgiã/o tiver sua própria equipe com a qual trabalha, como foi o caso do Dr. Mauro, é mais provável que haja um acordo entre o grupo de pessoas que estará na sala de cirurgia. Antes do início da cirurgia, conversei com cada membro da equipe e recebi a mesma resposta de cada um deles. “Gostamos de ficar muito concentrados enquanto estamos trabalhando e não temos conversas paralelas”
Enquanto eu estava dormindo, a Dra. Waldyvia também usou meu estado alterado para fazer sugestões positivas sobre minha saúde para minha mente subconsciente. Escreverei mais sobre essa prática em um blog separado.
4 e 5) Analgesia Preventiva e Escolha do Sedativo
Fiz minhas cirurgias com bloqueio peridural e Propofol como sedativo. O bloqueio peridural cuidou da anestesiar o local da incisão e a experiência com o Propofol foi como cair em um sono suave e acordar facilmente.
6) Tremor e Agitação Aós-Cirúrgicos
Como praticante e professora de Somatic Experiencing® (Experiência Somática®) por mais de 30 anos, e como alguém que ajudou muitos clientes a renegociar experiências cirúrgicas, ninguém precisou me convencer do valor de permitir a descarga e o tremor pós-cirúrgica. Os tremores não somente não me surpreenderam nem me assustaram, como também foram bem-vindos e percorreram meu corpo em ondas. Eu tremia e, em seguida, sentia o tremor e a descarga se acalmarem. Depois de algum tempo, outra onda passava por mim. Continuei com isso e, quando saí da sala de recuperação, senti que tinha conseguido descarregar uma parte significativa do estresse da cirurgia.
Minha experiência Pós-Operatória
Naturalmente, ninguém tem vontade de cair na noite quando acaba de passar por uma cirurgia de grande porte. Há dor e a sensação é de ter sido atropelado por um caminhão. O "depois" da anestesia é como uma ressaca monumental e o corpo reclama muito do ataque inescapável que sofreu na mesa de cirurgia.
Como regra geral, é uma boa ideia tomar medicação suficiente para dor após uma cirurgia para se manter confortável. Isso evita o estabelecimento de circuitos de dor crônica que podem ser iniciados pela dor pós-operatória persistente que não é medicada. Obedientemente, tomei a medicação para dor prescrita pelo Dr. Mauro. Mas não precisei tomá-la por muito tempo. Em poucos dias, embora não fosse tão confortável me movimentar, não senti mais a necessidade da medicação. A cirurgia minimamente invasiva do Dr. Mauro envolve uma noite de internação no hospital. No dia seguinte, fiz uma caminhada pelo corredor e ele me deu alta e mandou caminhar o máximo possível, pois o fortalecimento dos músculos é o que mantém a prótese estável. Dois dias após a cirurgia, eu já estava subindo e descendo escadas (lentamente, é claro...)
Mas talvez o mais importante de tudo tenha sido meu sentimento de empoderamento. Saí dessas experiências me sentindo vitoriosa e poderosa, dona do meu próprio corpo e da minha própria vida. Eu me senti (e me sinto) capaz de me engajar com a profissão médica para me comunicar e ser ouvida. E a capacidade de cura do meu corpo nunca foi tão clara para mim.
© Lael Katharine Keen 2026
