
Conversas Empoderadas com Seu/sua Cirurgiã/o
Neste blog, discutirei algumas dicas para escolher uma cirurgiã/o e conversar com ele/a sobre sua cirurgia. Estou ciente de que, em casos de emergência, medicina socializada ou provedores médicos que oferecem opções limitadas, a escolha de um/a médico/a não é um luxo ao qual todos têm acesso. Entretanto, em todos os casos, temos algumas escolhas e exercê-las da melhor forma possível nos alinha com nosso resultado mais positivo. A forma como escolhemos nos comunicar com nosso médico é uma das escolhas que sempre temos.
Quando estamos pensando em fazer uma cirurgia, assim como em muitas outras situações da vida, nos deparamos com um equilíbrio delicado entre fazer o possível para obter os melhores resultados e nos render àquilo sobre o qual não temos poder. Uma vez iniciada a cirurgia, é hora de nos rendermos e confiarmos nosso corpo às mãos capazes do profissional que realizará nossa cirurgia.
Escolhendo Um/a Cirurgiã/o
Quando for possível escolher nossa/o cirurgiã/o, há várias perguntas a serem feitas a/o médica/o e a si mesmo, muitas das quais mencionei em blogs ou bônus anteriores.
Perguntas a Fazer a Si-Mesmo
Tenho confiança na habilidade e no nível de experiência desse/a médico/a?
A experiência da/o cirurgiã/o é possivelmente o maior fator no resultado de uma cirurgia. Uma pesquisa cuidadosa sobre o histórico e a habilidade da/o cirurgiã/o é essencial para fazer a melhor escolha. É importante observar que a idade nem sempre é o melhor indicador. Às vezes, um/a cirurgiã/o mais joven desenvolveu habilidades em métodos mais novos e menos invasivos do que um cirurgiã/o mais velho/a que aprendeu a fazer suas cirurgias quando havia menos opções modernas disponíveis.
Eu confio nessa pessoa? Ela é gentil? Ela está atenta às minhas preocupações?
Quando um/a médico/a pergunta se você tem alguma dúvida e depois dedica tempo para respondê-la, isso já é um sinal de que ele/a está considerando você e está disposto/a a ouvir. Também é uma indicação de que ele/a está trabalhando em um sistema que lhe dá tempo para interagir com seus pacientes. (Em muitas situações institucionalizadas, o/a médico/a só tem direito a um curto período de tempo para uma consulta).
Eu me sinto respeitado/a?
O que minha intuição me diz?
É uma ótima ideia ouvir sua intuição ao escolher um médico e ao considerar procedimentos médicos. Muitos problemas totalmente evitáveis acontecem quando não damos ouvidos à nossa intuição.
Perguntas a Serem Feitas a/o Cirurgiã/o:
Quantas cirurgias desse tipo você já realizou? Qual é o médio do êxito destas cirurgias e do tempo de recuperação?
Quantos anos de experiência você tem como cirurgiã/o?
Você tem uma equipe com a qual trabalha e na qual confia?
Você trabalha com um/a anestesiologista específico? Há quanto tempo vocês trabalham juntos?
Você tem um hospital preferido ou recomendado para a cirurgia?
Você está disposto e é capaz de dizer sim às minhas solicitações? (veja a Lista de Pedidos a Serem Feitos Pre-cirurgicamente
***Observação importante: O fato de a/o cirurgiã/o dizer sim às solicitações da Lista de Pedidos a Serem Feitos Pre-Cirurgicamente não significa necessariamente que essas solicitações serão respeitadas. Já passei por situações, trabalhando com clientes e acompanhando amigos ou familiares em cirurgias em que o/a médico/a disse uma coisa na conversa e algo bem diferente aconteceu no dia da cirurgia. É por isso que a comunicação clara, a confiança e o respeito são fundamentais.
Conversando com Sua/seu Cirurgiã/o
Ao conversar com sua/seu cirurgiã/o, é importante que você esteja calmo, centrado e bem-informado. Isso se aplica tanto se você escolheu a/o cirurgiã/o quanto se o destino, o sistema ou a situação escolheu a/o cirurgiã/o para você.
Aqui estão alguns elementos a serem levados em consideração:
Dinâmica do poder
Nossa cultura nos ensina a ceder o poder sobre nossos corpos aos médicos e à profissão médica. Isso pode fazer com que o/a paciente não faça as perguntas importantes, não solicite o que precisa e, consequentemente, não obtenha o que precisa. É importante lembrar que você é o/a cliente - você está pagando (ou a medicina socializada ou o seguro está pagando) e tem o direito de fazer perguntas e pedir o que deseja. Dedicar algum tempo para pensar em como você possa ir ao encontro de sua/seu cirurgiã/o sentindo-se dono/a do seu corpo e um/a cliente que merece ser bem tratado/a e informado/a pode neutralizar o condicionamento cultural que todos nós absorvemos para confiar cegamente no sistema médico.Reserve um tempo para pesquisar o procedimento que você pretende fazer as várias opções disponíveis, como funcionam e quais são os prós e os contras de cada variante do procedimento. Dessa forma, você poderá ir ao encontro de seu/sua médico/a de um ponto de vista mais capacitado e fazer perguntas bem fundamentadas que lhe trarão os melhores resultados.
Humanizar o Relacionamento
Lembre-se de que, à sua frente, está outro ser humano. Um ser humano que dedicou sua vida a ajudar os outros. Ele/a pode não conhecê-lo ainda e nem saber os detalhes sobre o que você precisa para ter a melhor experiência cirúrgica. Converse com seu/sua médico/a a partir de sua própria experiência. E convide-o/a a se conectar a partir de um lugar em você que seja gentil e atencioso, assim como você deseja que ele seja gentil e atencioso com você.
A maioria das considerações neste blog são simples e tratam-se de uma questão de bom senso. No entanto, quando estamos assustados com nossa saúde e enfrentando o desconhecido, podemos rapidamente nos esquecer de ouvir nossa intuição e fazer perguntas e pedidos que nos ajudem a nos sentir mais capacitados e a tomar melhores decisões. Espero sinceramente que este blog ajude aqueles que o lerem a se lembrarem do bom senso, do centro e da soberania sobre o próprio corpo ao enfrentarem grandes e pequenas decisões relacionadas à saúde.
